sexta-feira, 6 de julho de 2012

Solução de compromisso


Pressinto o advento de um novo tipo de relações. A desdemocratização dos divórcios acontece por razões financeiras. Agora só mesmo os ricos (ou minimamente abastados) é que se podem divorciar
(ou simplesmente separar).
Tudo isto vai levar a uma manutenção algo artificial das relações
(muitas vezes em casas onde não há pão )

Mesmo nas uniões de facto esgotadas, vai ser preciso pensar duas vezes antes de resolver ir pagar uma renda de casa sózinho (fora o resto) ou ficar apenas dependente da manutenção do seu posto de trabalho.

Prevejo um novo surto de infidelidade(s) que acaba por ser uma solução de "compromisso"
entre pessoas que queiram fugir (ainda que fugazmente) à sua condição de sequestrados - por razões económicas.

E já nem falo de sexo. Iisso eles até podem continuar a ter nas relações em que se encontram.
O mais difícil às vezes é mesmo encontrar afecto sem que o factor obrigação esteja sempre em cima da mesa. Ou descobrir um carinho sem que o seu conjuge não esteja sempre obcecado com as obrigações incumpridas de que ela (ou ele) se acham credores.
Ou ainda suscitar uma carícia sem que lhe estejam sempre a atirar à cara os seu inevitáveis defeitos.

Porque mais do que tudo necessitarão de alguem com quem possam simplesmente estar.
Sem obrigações, ou recriminações.

Nessa altura os afectos passarão a ser a forma mais grave de adultério

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