quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Crise lamentável


Gostava tanto de mexer na vida,
De ser quem sou – mas de poder tocar-lhe...
E não há forma: cada vez perdida
Mais a destreza de saber pegar-lhe.

Viver em casa como toda a gente
Não ter juízo nos meus livros – mas
Chegar ao fim do mês sempre com as
Despesas pagas religiosamente.

Não ter receio de seguir pequenas
E convidá-las para me pôr nelas –
À minha Torre ebúrnea abrir janelas,
Numa palavra, e não fazer mais cenas.

Não estar sempre a bulir, a quebrar coisas
Por casa dos amigos que frequento –
Não me embrenhar por histórias melindrosas
Que em fantasia apenas argumento


Mário de Sá-Carneiro
Paris - Janeiro 1916.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012


os homens podem ter muitas coisas em comum entre si...
...mas NUNCA as mulheres.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O namorado com o período


Quando a certa altura o meu director, depois de estar bem bebido, se põe a dizer que o namorado dele està com o periodo, devo confessar que tive inicialmente alguma dificuldade em perceber o que é que ele queria de facto dizer com aquilo ... (Se se tratava simplesmente de um desabafo, ou de uma forma mais subtil de engate)

A resposta ao fim e ao cabo era simples... E pelo sim, pelo não acabei por lhe dizer que isso era algo que certamente se ia acabar por resolver (...) e que o consumo moderado de kiwis ou cereais costumava ajudar ...


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Como não envergonhar a mulher


... aquele homem, em todo o caso, não se envolvia com outras que não fossem particularmente bonitas.
"pelos menos assim ela sentirá algum orgulho de mim..." pensava ele

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Mas para aonde é que julga que está a olhar ?

"  - Olhe, o sr.... Sim, o senhor ! ... porque é que está a olhar para mim dessa maneira ? .... Sim, você ! "
" - Peço-lhe imensa desculpa, ... mas se reparou foi porque eu não estava de facto a olhar para o seu traseiro ...
... e também não estava realmente a olhar para o seu peito... nem para as suas pernas ... e muito menos para o seu pescoço ... também não olhava para as suas costas ... nem para os seus lábios ... ou para os seus tornozelos ... nem para o seu (baixo) ventre ...
 - Se de facto reparou no meu olhar... foi porque eu olhei para os seus olhos, correcto ? ...
... e por isso peço desculpa ... "

( Retorquiu ele algo inocentemente... enquanto selectivamente enunciava todos os seus pontos mais sensuais ... evidenciando-os de forma ostensivamente subtil...)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Terapia conjugal


Aquele homem tentou de tudo para salvar o casamento :
desde arranjar hobby´s pós-laborais
a entregar-se horas a fio aos aparelhos do ginásio
ou embrenhar-se pelos trilhos em extensas
e extenuantes jornadas de bicicleta

Até experimentou ter um caso com outra mulher
(até mesmo isso ele tentou)
o pior foi quando ele teve de explicar à amante
que ela era a sua forma de terapia conjugal